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Três fatores que movimentam os mercados nesta semana

Há muita coisa acontecendo na economia mundial neste momento, empregos nos EUA, comércio com a China e o índice da bolsa britânica.
O grande evento desta semana é o relatório de empregos dos EUA, que será divulgado na sexta-feira.
O Federal Reserve acaba de realizar uma reunião e decidiu manter as taxas inalteradas. Isso não foi surpresa. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, ao conceder sua primeira coletiva de imprensa no cargo, não esclareceu muito bem quais são os próximos passos da instituição; essa indefinição deixou os investidores nervosos. Os custos de empréstimo subiram e os mercados ficaram instáveis, pois, quando o Fed não sinaliza sua direção, todos começam a especular — e a especulação gera volatilidade nos mercados.
É por isso que o relatório de emprego de sexta-feira é tão importante. Economistas estimam que os EUA tenham criado apenas cerca de 90 mil vagas em julho, o que daria continuidade ao ritmo lento de contratações observado em junho. Um número baixo como esse seria, na verdade, uma boa notícia para quem espera a manutenção de taxas de juros baixas, pois reforçaria a ideia de que o mercado de trabalho está esfriando, em vez de superaquecendo.
Além disso, espera-se uma leve alta na taxa de desemprego, para cerca de 4,3%, embora ninguém tenha certeza absoluta da confiabilidade desse dado no momento. As medidas mais rigorosas de Trump em relação à imigração têm alterado a composição da força de trabalho e os critérios de quem é contabilizado como alguém em busca de emprego, o que torna o cenário menos claro. Mais adiante neste ano, com o início do ano letivo e o retorno de mais cuidadores ao mercado de trabalho em busca de emprego, a taxa de desemprego poderá subir ainda mais, possivelmente ultrapassando 4,5%.
O gigantesco superávit comercial da China está diminuindo?
A China também divulga seus dados comerciais de julho nesta sexta-feira, e eles ajudarão a responder a uma questão que tem gerado debate entre economistas: será que o superávit comercial chinês atingiu o pico?
Tanto as importações quanto as exportações têm crescido rapidamente, em grande parte devido à IA. O *boom* global da IA está levando países a comprar enormes quantidades de eletrônicos fabricados na China, o que impulsiona as exportações chinesas. Ao mesmo tempo, a China também está importando mais, em parte porque a demanda por IA elevou os preços dos chips de memória, dos quais o país é um grande comprador.
Alguns analistas acreditam que o superávit já atingiu o pico, uma vez que foi ligeiramente menor no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, outros discordam dessa visão. Pesquisadores do *Council on Foreign Relations* apontaram que grande parte da mudança observada este ano deve-se às compras massivas de ouro pela China. Se desconsiderarmos o ouro, o superávit comercial chinês na verdade cresceu US$ 80 bilhões no primeiro semestre do ano.
A questão mais importante é se o governo chinês realmente tomará medidas para estimular os gastos internos. A demanda fraca dentro da China tem pressionado os preços para baixo e levado as empresas a vender mais para o exterior, o que contribui para manter o superávit em níveis elevados. Autoridades chinesas afirmaram nesta semana que planejam aumentar os gastos no segundo semestre, o que poderia começar a alterar esse equilíbrio, caso a medida realmente se concretize.
Enquanto isso, o FTSE 100 acaba de registrar uma série de recordes de alta. Isso é um tanto surpreendente, considerando todo o resto que está acontecendo, e diz menos sobre o bom desempenho da economia britânica e mais sobre o tipo de empresa que compõe esse índice.
O FTSE não conta com uma grande presença do setor de tecnologia, o que acabou sendo uma vantagem durante um mês difícil para as ações de tecnologia em outros mercados. Em contrapartida, o índice é fortemente composto por empresas de energia e do setor financeiro — segmentos que vêm se beneficiando da alta das taxas de juros na Europa e da nova disparada nos preços do petróleo, impulsionada pelo ressurgimento das tensões no Irã. O FTSE, portanto, reúne a combinação ideal de setores para o momento atual.
Conclusão
As três narrativas giram, na verdade, em torno da mesma tensão subjacente: a pressão inflacionária — impulsionada em parte pelo conflito no Irã, que eleva os preços do petróleo, versus sinais de desaceleração econômica, como o arrefecimento do mercado de trabalho dos EUA e dúvidas sobre a demanda chinesa. A forma como essa tensão se desenrolará, a começar pelos dados desta sexta-feira, determinará os rumos das taxas de juros, dos fluxos comerciais e dos mercados de ações daqui para a frente.







